A vida aqui na casa de repouso é muito agradável. Todo mundo cuida de mim com tanto carinho... Eu divido meu quarto com uma outra hópede, a Eugênia. Nós temos muita coisa em comum. Ela tem 91 anos e eu 87.
Cada carta de vocês e cada lembrancinha que vocês mandam são uma grande alegria para mim. Ontem eu recebi o radinho que vocês me mandaram e devo dizer que, não fosse minha artrite, eu teria pulado de alegria. Eu fico ouvindo o radinho o dia todo.
Eugênia teve também um radinho durante anos, mas ela mantinha o volume no mínimo, e eu quase não conseguia ouvir (e não foi por falta de pedir para que aumentasse para que eu também pudesse ouvir). Mas ela nunca aumentou. Não estou dizendo que ela fazia de propósito (Deus a guarde), mas ela é tão velhinha... Acho que não dá para culpá-la. E, na quinta-feira, a Eugênia deixou cair o radinho no chão e ele se quebrou em mil pedaços. Não é preciso dizer que foi impossível consertá-lo. Coitada, fiquei com tanta pena dela!
Hoje à noite, enquanto eu ouvia a missa na Rádio Aparecida, a Eugênia veio conversar comigo. Ela estava com lágrimas nos olhos. Ela me pediu para aumentar o volume para que ela pudesse ouvir a missa também.
Claro, eu mandei ela passear. Deus a guarde.