O ceguinho chegou ao restaurante e pediu um cardápio em braile. O garçom, desculpando-se, disse que não tinha, e o cego prosseguiu:
— Tudo bem. Traga-me uma colher suja da cozinha para eu provar a comida.
O garçom achou estranho, mas atendeu ao pedido. Pegou uma colher usada na cozinha e a levou para o cego, que a lambeu e comentou:
— Hummm, ótimo tempero! Camarão com arroz à grega... Pode trazer esse prato mesmo.
No dia seguinte, a história se repetiu:
— Hummm, estrogonofe de frango... Batata frita... Pode trazer esse prato.
Durante a semana toda, o ceguinho pedia a colher e escolhia o prato. O garçom, então, querendo sacanear, resolveu aprontar. Quando o ceguinho chegou, o garçom pegou uma colher limpa, foi até a cozinheira, que era sua esposa, e disse:
— Sueli, tô a fim de aprontar com o ceguinho metido a esperto. Pega essa colher e passa aí na perseguida!
E, quando o cego pôs a colher na boca, disse, admirado:
— Ah, não vai me dizer que a Sueli tá trabalhando aqui!