Em uma cidade, no mais interior do Brasil que você possa imaginar, vivia uma moça que já não estava mais tão feliz com a vida simples que levava. Um belo dia, muito decidida, foi conversar com sua avó. Puxando bastante os "erres", naquele sotaque do interior, disse a mocinha:
— "Vovó, não agüento mais ficar aqui nessa cidade. Quero conhecer a capital, ver coisas novas... viver intensamente!!"
E a vovó, muito compreensiva, respondeu o seguinte:
— "Tudo bem minha filha, se é isso que você quer eu lhe dou o meu consentimento e a minha bênção. Mas deixe-me alertar de uma coisa: As moças lá na cidade usam um pedacinho de pano por baixo da saia, que elas chamam de calcinha. Aqui nós nunca nos preocupamos com isso, por isso eu preciso fazer uma para você antes de você viajar. Quando você chegar na cidade grande você compra mais algumas."
Assim dizendo, a boa velhinha foi até o celeiro, pegou um velho saco e com muita destreza costurou uma calcinha para a neta querida. No dia seguinte a moça já estava de partida com mala, cuia e calcinha (de saco) a caminho da cidade grande. Pegou sua passagem e suas malas e lá se foi para o trem (era o único jeito de sair daquele buraco). Estava um dia quente, e a moça, muito ingênua, vinha pelo caminho se abanando com a saia. De repente notou que um senhor que estava sentado de frente para ela, olhava atentamente para debaixo de sua saia. A moça irritada perguntou:
— "O que está olhando?!! Nunca viu?!"
— "Olha Dona, ver eu já vi muitas... Mas escrito "RAÇÃO PRA PINTO" é a primeira vez!!"
Numa fazenda do interior de Minas, o velho galo já não conseguia satisfazer todas as suas franguinhas. O fazendeiro decidiu, então, comprar um galo jovem que substituiria o velho cansado de guerra. Quando chegou o galo novo, todo forte e garboso, o velho galo se aproximou dele e disse:
— Garoto, ocê pode dexá pra mim ao menos duas das minhas galinhas favoritas? - Ha, de jeito nenhum! Elas são todas minhas agora. Se você não fez seu trabalho, o problema é seu! - ô minino, cê pode ao menos mi dá uma chance. A gente pode, se ocê aceitá, disputá uma corrida. Si eu ganhá, ocê dexa minhas favoritas. Se ocê ganhá, elas são todas suas. O galo jovem olha o velhinho acabado, praticamente sem fôlego e diz:
— Tá bem, você não tem nenhuma chance mesmo! - Bom, se ocê acha isso, ocê pode mi dá 20 passos de vantagem? Ocê é jovem forte e a gente corre até o outro lado do terreiro, uns 100 metros. - Tudo bem, respondeu o jovem galo. A corrida começa. O velho começa a correr, Нuмр , humpf humpf. e percorre os primeiros 20 passos. O jovem começa a correr também: patac, patac, patac... Depois de 50 metros o velho não tem mais que 5 passos de vantagem, depois de 70 ele não mais que 2, a 80, menos de 1 metro... Nesta altura o velho galo já está praticamente acabado mas continua correndo: humpfHumpfHumpf Aos 90 metros o jovem já está 5cm na frente do velho galo: Humpf Humpf eu ainda te peeeego!, grita o velhinho. Nisso o fazendeiro que passava pega sua carabina a atira no jovem galo. Guardando a carabina, ele diz à sua mulher:
— Num to entendendo isso, uai. Já é o quinto galo viаdо que a gente compra esta semana!