Na cidade de Uruguaiana no sul do Brasil, onde, apesar do nome, quase metade da população é composta de argentinos, havia um Padre que os detestava e não media as palavras em seus sermões de domingo.
Eis alguns trechos:
— Pilatos, que era argentino! Foi quem lavou as mão diante de Jesus. Barrabás, que era argentino! Foi o Bandido que foi trocado por Jesus. O povo judeu daquela época era todo argentino... E por aí ia.
Os argentinos da cidade, muito zangados, foram se queixar ao Bispo local, o qual chamou o Padre e mandou que mudasse suas atitudes, pois a Igreja não podia ter diferenças políticas e nem raciais.
No domingo seguinte a missa ia trancorrendo sem nenhum comentário por parte do Padre que insultasse os argentinos, até que o Padre começou uma história:
— E então, na última ceia, Jesus disse: Alguém de vós irá me trair!
— Veio então João e lhe perguntou: Serei eu Jesus, aquele que vai lhe trair?
— Não João, não és tu, respondeu Jesus.
— E veio Lucas: Serei eu seu traidor?
— Não Lucas, o traidor não és tu também.
— Veio então, Marcos, Tiago e quase todos os Apóstolos fazendo a mesma pergunta e obtendo a mesma resposta.
— Então veio Judаs perguntar a Jesus: Um momentito por favor. Serei jo?