Numa aldeia alentejana o filho chega a casa, vindo da escola, com ar choroso. O pai pergunta-lhe o que se passa, ao que responde o rapaz: — O professor bateu-me. — Então porquê? - pergunta o pai. — O professor perguntou quem tinha descoberto o caminho marítimo para a Índia e eu disse que não tinha sido eu, meu pai. - responde o rapaz. — E foste? - pergunta o pai. — Eu não, meu pai. À noite, na taberna da aldeia, o pai indignado, comenta com o seu compadre que era polícia na Pide: — Já viste isto? Amanhã tenho que ir à escola esclarecer um assunto. Se há coisa que os meus rapazes não são é mentirosos. Se o moço disse que não foi ele é porque não foi... No dia seguinte, quando o homem se preparava para ir à escola, aparece-lhe o compadre da polícia política e diz-lhe: — Já está tudo esclarecido, esta noite apertei com um dos presos políticos que temos engavetados e ele confessou... Foi ele que descobriu o caminho marítimo para a Índia, bem podes garantir lá a esse professor...
Numa aldeia alentejana o filho chega a casa, vindo da escola, com ar choroso.
O pai pergunta-lhe o que se passa, ao que responde o rapaz:
— O professor bateu-me.
— Então porquê? - pergunta o pai.
— O professor perguntou quem tinha descoberto o caminho marítimo para a Índia e eu disse que não tinha sido eu, meu pai. - responde o rapaz.
— E foste? - pergunta o pai.
— Eu não, meu pai.
À noite, na taberna da aldeia, o pai indignado, comenta com o seu compadre que era polícia na Pide:
— Já viste isto? Amanhã tenho que ir à escola esclarecer um assunto. Se há coisa que os meus rapazes não são é mentirosos. Se o moço disse que não foi ele é porque não foi...
No dia seguinte, quando o homem se preparava para ir à escola, aparece-lhe o compadre da polícia política e diz-lhe:
— Já está tudo esclarecido, esta noite apertei com um dos presos políticos que temos engavetados e ele confessou... Foi ele que descobriu o caminho marítimo para a Índia, bem podes garantir lá a esse professor...