O soldado chegou correndo a uma bifurcação e viu uma freira de pé ali. Sem respiração, ele pediu:
— Por favor, Irmã, posso me esconder sob seus trajes por alguns minutos? Eu explico depois.
A freira concordou. Logo em seguida, dois soldados chegaram correndo e perguntaram:
— Por favor, Irmã, você viu um soldado que passou correndo por aqui?
Ela respondeu:
— Ele foi por ali.
Depois que os policiais sumiram, o soldado engatinhou para fora do hábito da freira e disse:
— Eu não sei como lhe agradecer, pois eu não quero ir para o Iraque.
A freira respondeu:
— Eu posso compreender muito bem o seu medo.
O soldado acrescentou:
— Peço-lhe para não me considerar rude, ou impertinente, mas você tem um belo par de pernas.
A freira respondeu:
— Se você tivesse olhado um pouco mais para cima, teria visto um belo par de bolas, e percebido que eu também não quero ir para o Iraque.
Era uma cidadezinha pequena, bem na fronteira do Brasil e Argentina. A Igreja fiса cheia para a missa das 10: argentinos, brasileiros, o prefeito, etc...
Começa o sermão:
— Irmãos, estamos hoje aqui reunidos para falar dos Fariseus, aquele povo desgraçado como esses argentinos que estão aqui...
— Ohhhhhhh!
O maior tumulto tomou conta da igreja. Os argentinos saíram xingando o padre. Houve briga na porta da igreja. O prefeito levou a mão à cabeça, indignado.
Acabada a confusão, o prefeito foi falar com o padre na sacristia:
— Padre, pega leve, os argentinos vêm para este lado, gastam nas lojas, nos restaurantes, trazem divisas para a cidade. Não faça mais isto.
Durante a semana a conversa entre todos era a mesma: O padre e o sermão do domingo. Aquele zum-zum-zum todo foi fazendo as pessoas ficarem curiosas e querendo saber o que mais tinha acontecido.
Finalmente, chega o domingo seguinte. O prefeito chega na sacristia e comenta com o padre:
— Padre, o senhor lembra do que conversamos antes, não? Por favor, não arrume nenhuma encrenca hoje, certo?
Começa o sermão:
— Irmãos, estamos aqui reunidos hoje para falar de uma pessoa da Bíblia: Maria Madalena. Aquela mulher, a prostituta que tentou Jesus, como essas argentinas que estão aqui. . .
Não deu outra: Pancadaria na igreja, quebraram velas nos corredores, tapas, socos e algumas internações no pronto-socorro da cidade. O prefeito novamente foi ao encontro do padre:
— Padre, o senhor não me disse que iria pegar leve? Padre, se o senhor não amansar, vou escrever uma carta à Congregação e pedir a sua retirada imediata.
Naquela semana, o tumulto era maior ainda. As conversas eram maiores ainda e ninguém perderia a missa do próximo domingo, nem por decreto. Na manhã do domingo, o prefeito entra na sacristia com a polícia e a espalha pela igreja:
— Padre, pega leve desta vez, senão te levo em cana!
A igreja estava abarrotada. Quase não se conseguia respirar de tanta gente. E o padre inicia:
— Irmãos, estamos aqui reunidos hoje para falar do momento mais importante da vida de Cristo: A Santa Ceia.
O prefeito então respirou aliviado. E o padre começa o sermão em seguida:
— Jesus, naquele momento disse aos apóstolos:
"— Esta noite, um de vós irá me trair. Então João perguntou: — Mestre, sou eu? E Jesus respondeu: — Não, João, não é você. E Pedro perguntou: — Mestre, sou eu? E Cristo respondeu: — Não, Pedro, não é você. Então, Judаs perguntou: — Mestre, acaso soy yo?..."
À medida em que as cidades vão se tornando metrópoles, os crimes vão se tornando mais frequentes, e a justiça vai tendo maior dificuldade em punir os malfeitores. Crimes acontecem todos os dias, com uma rapidez muito maior do que a capacidade que a justiça tem de resolvê-los, e de punir os criminosos. E assim é o dia a dia daqueles que têm a responsabilidade de cuidar do cumprimento das leis.
E tendo acontecido um сriме de homicídio, em uma determinada cidade, o delegado Ahirton Celsio foi destacado para instaurar, e acompanhar o devido inquérito policial. E apesar de muito trabalho já efetuado, na primeira semana do inquérito o delegado ainda não tinha chegado a nenhuma pista do assassino. Passados mais alguns dias, assim como de repente, apareceu uma testemunha que tinha presenciado o сriме, e que, devidamente protegido pela justiça, comprometeu-se a cooperar nas investigações. E o delegado ouviu essa testemunha, que o levou até o suspeito do сriме.
O delegado levou a testemunha à residência do suspeito, para reconhecimento, e aí ele se deparou com mais uma dificuldade: O suspeito apresentado pela testemunha tinha um irmão gêmeo, exatamente igual a ele. E como a testemunha não conseguiu apontar qual dois gêmeos era o autor do сriме, o delegado não teve outra saída, e prendeu os dois irmãos, que ficaram em celas separadas.
Após um mês da prisão dos gêmeos o inquérito ainda não apontava o autor do сriме, e o delegado resolveu fazer uma acareação com os dois irmãos. Durante o trabalho de acareação o delegado percebeu que um dos irmãos gêmeos tinha engordado visivelmente, e que o outro gêmeo continuava com o mesmo físico de quando ele tinha sido preso.
O delegado Ahirton mandou que pesassem os dois gêmeos, e foi constatado o que ele já tinha percebido: Um dos gêmeos tinha engordado quase vinte quilos, enquanto que o outro gêmeo não tinha engordado nem um quilo. O delegado analisou detalhadamente todas essas últimas informações, e resolveu soltar o irmão gêmeo gordo, e indiciar o irmão gêmeo magro, como autor do homicídio.
Os auxiliares do delegado Ahirton, preocupados com a apresentação de uma justificativa de indiciamento nos autos do processo, solicitaram que ele lhes apresentasse os motivos periciais e jurídicos para que o gêmeo gordo fosse liberado, e para que o gêmeo magro fosse indiciado. E o delegado lhes disse:
— Elementar, companheiros! Eu observei que um dos gêmeos tinha engordado. A partir daí eu concluí que o gêmeo que não engordou é o que matou, pois todos nós sabemos muito bem que "O que não mata, engorda"!